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Título: Argélia, 1962: Uma história popular da guerra pela independência argelina nos corpos, vozes e memórias de quem a vivenciou
Autor: Malika Rahal
Ano: 2026
ISBN: 978-65-86903-62-1
Formato: 16 x 23 cm
Páginas: 474
_ Sinopse _
Em 1962, a Argélia pôs fim a 132 anos de colonização francesa e a oito anos de luta armada. Foi o encerramento de uma guerra brutal – e o nascimento vertiginoso de uma nação. Mas, para além das crises políticas e das disputas pelo poder, o que sentiram os milhões de argelinos que viram seu mundo ser reconstruído? Neste livro sensível e monumental, Malika Rahal restitui a experiência concreta da independência a partir dos corpos, vozes e memórias de quem atravessou aquele ano decisivo. Mulheres e homens, combatentes e civis, refugiados, famílias em busca de desaparecidos, moradores das cidades e do campo são os protagonistas desta história popular raramente contada. Mobilizando testemunhos, autobiografias, fotografias, filmes, canções e poemas, Argélia, 1962 acompanha o retorno de centenas de milhares de refugiados, a abertura de prisões e campos de concentração coloniais, os dias intensos da independência e as profundas transformações de um país que precisava aprender, ao mesmo tempo, a sobreviver e a se imaginar livre.
_ Sumário _
Agradecimentos e advertências
Introdução: O timbre da Revolução
Desdobrar 1962: o evento e a duração
1962: a narrativa da deploração
A evidência do povo
O país do futuro
PRIMEIRA PARTE — VIOLÊNCIAS
1. O sangue roubado
As frações do real no boato
A questão central da transfusão sanguínea
A profundidade histórica do boato
O impensável que acontece
2. A angústia dos franceses da Argélia
O tempo da OAS
A angústia escatológica, a saturação dos boatos e notícias
Os boatos e o êxodo
O aparecimento das autoridades argelinas
3. O tempo da efervescência
Uma multidão indescritível e jovem
A efervescência como movimento social
Efervescência e violência
4. A vingança
Uma história emaranhada
Visto da França ou visto da Argélia
Uma violência popular?
O ponto de vista dos combatentes do ELN
Rumo ao monopólio da violência legítima
5. O acontecimento: Orã, 1962
O 5 de julho em Orã
O lugar nos bastidores do acontecimento
A geografia da cidade em guerra
As linhas de tiro dos atiradores da OAS
O atentado esquecido em 28 de fevereiro, "o mais sangrento da guerra da Argélia"
Às vésperas da independência, a confusão das autoridades francesas e argelinas
Da efervescência festiva ao cúmulo da violência
Depois da violência
6. A derrota dos messalistas
As raízes do conflito MNA-FLN
Relançar o partido no período transitório
O desamparo
O tempo das recriminações
SEGUNDA PARTE — CORPO
7. Viver entre si
1962 e o risco da guerra civil
Os reencontros
Formar corpo: contar-se na saída da guerra
As primeiras manchetes da imprensa nacional
O renascimento do associativismo
Revelação dos corpos e aparição das falhas
Ser isso, ou não ser
Que lugar para os franceses?
8. O retorno dos detidos
Milhares de prisioneiros libertados
O fim da guerra na prisão
A libertação
O retorno do espaço carcerário
A anistia de julho
9. A desmobilização
Os milagrosos
O anúncio do cessar-fogo
O fim da fraternidade combatente
As tarefas da transição
Nas fronteiras
Desmobilização e reconversão
A retomada do tempo da vida
10. O corpo coletivo
A pequena Argélia de Fontaine-Fraîche
Cuidar dos corpos
Controlar os corpos
Formar corpo coletivamente
A saúde diante dos desafios da independência
A retomada do sistema educacional
11. Os desaparecidos
A busca dos mortos
Pequenos anúncios para procurar os desaparecidos
Anunciar a morte dos irmãos e irmãs de combate
Compartilhar os mortos e desaparecidos
A missão do CICR em 1963
Os procuradores de ossos
12. Festividades
O início das festas em março
As festas de julho e a inversão do olhar
Os preparativos
O andamento das festas
Os excluídos da performance
TERCEIRA PARTE — ESPAÇOS
13. A recuperação
Al-atlal ou o nascimento dos indícios
O retorno ao país da guerra
A soberania e o território
A travessia de um país fragmentado
Os confrontos do verão e a interposição popular
Solo poluído, solo perigoso, solo reparado
14. Segregação
Uma segregação espacial redobrada
O êxodo rural acelerado
O refúgio dos bairros argelinos
15. O retorno do espaço
A partida dos "europeus"
A surpresa dos que ficam
Os móveis e os objetos
Ocupar os bairros esvaziados
A revolução urbana
A herança dos bens vacantes
16. A repatriação dos refugiados
Geopolítica da repatriação
Os refugiados e a operação de retorno
Após o retorno
17. O campo
O arquipélago dos campos
A materialidade do campo
Início de 1962: antecipar a desagregação
A complexa experiência da abertura dos campos
18. A fazenda
A inversão dos efeitos da expropriação de terras
O maná dos terrenos libertados
Autogestão heroica na fazenda Chiris
Heranças
QUARTA PARTE — O TEMPO
19. A espera
A longa espera da independência
Angústia e impaciência
A fábrica dos futuros
O tempo das apostas
20. O advento
O advento da República argelina
O futuro é um país ambicioso
O risco do advento
O "país das nossas utopias"
A urgência
O tempo das possibilidades
21. 1962-1830
Ketchaoua, outubro de 1962
1830
Ketchaoua, novembro de 1962
1871-1962: da reversibilidade da conquista
22. A invenção do passado
A história de cinema
Filmes para ajudar a partição do tempo
O "país das epopeias"
Mudanças de nomes de ruas e comemorações
O tempo da inscrição
Conclusão. A dimensão revolucionária de 1962
1962: a partição do tempo
A efervescência
O longo 1962
Testemunhos e fontes primárias
Lista de personagens e testemunhos citados
Arquivos utilizados em cada capítulo
Bibliografia
Bibliografia adicional
_ Sobre a autora _
MALIKA RAHAL é historiadora, diretora de investigação no CNRS e diretora do Institut d’Histoire du Temps Présent, na França. Especialista em história contemporânea da Argélia e do Magrebe, dedica-se especialmente aos processos de independência, às práticas políticas e às experiências sociais e emocionais ligadas à descolonização. É autora de diversos livros sobre a história argelina contemporânea, entre eles uma biografia do advogado Ali Boumendjel, assassinado por paraquedistas franceses durante a Batalha de Argel, e Algérie 1962, une histoire populaire (La Découverte/Barzakh, 2022), vencedor do Grande Prêmio do Rendez-vous de l’histoire de Blois e agora publicado em língua portuguesa pela Letra e Voz.